20 Maio 2013

O suave perfume da vitória anda no ar


O Exército Árabe Sírio soma vitória após vitória sobre os espalhadores de mercado e seus aliados da Al Qaeda. O desfecho vitorioso desta terrível contenda parece retemperar a esperança de quantos, desiludidos com a hipocrisia, duplicidade, má-fé ou simplesmente estupidez de muitos - uns, coitados, obedientes e servis seguidistas; outros, declarados inimigos da paz - seguem a tremenda crónica do conflito com a mesma intensidade de sentimentos com acompanhariam similar tragédia no seus países de origem. A guerra da Síria - aliás, a guerra imposta à Síria - revelou a que ponto o chamado Ocidente abdicou da velha autoridade moral e civilizacional que arremessava a qualquer adversário. O mundo mudou. A Europa e os EUA deverão, quanto antes, tirar ilações sobre a imperícia dos seus decisores e governantes, impedindo que tamanhas obscenidades e erros de análise se repitam.
No vídeo, soldados do governo dançam a vitória.

19 Maio 2013

Vitória síria na frente sul


O Exército Árabe Sírio, apoiado por vários regimentos do Hezbollah libanês entrou em Qseir, principal reduto dos jihadistas na província de Homs, cortando em definitivo as vias de reabastecimento usadas pelos salafistas. Os números são eloquentes na expressão do retumbante sucesso militar: mais de quatrocentos terroristas abatidos e cerca de 3000 prisioneiros, ou seja, 20% do potencial dos invasores. No norte, em Alepo, os terroristas perderam ao longo das últimas duas semanas metade dos bairros que dominavam e viram, tal como em Homs, cortadas as linhas de apoio logístico que os ligavam à Turquia. Os orgãos de intoxicação ditos ocidentais persistem em escamotear a evidência da inversão do rumo da guerra, mas tantos apelos ao diálogo e a conversações não deixam dúvidas quanto ao desfecho vitorioso da contenda a favor do governo legítimo de Damasco.
No vídeo que vos deixo, centenas de terroristas manietados, deitados no solo e aguardando transporte para centros de detenção, são a imagem da derrota de quantos, continuando a manter a infantil versão de uma "guerra de libertação" se esquecem que 75% de todos os combatentes mortos ou aprisionados no curso da guerra são oriundos de 21 países. A invasão estrangeira falhou. É altura da normalidade regressar.

18 Maio 2013

A mansão de Creso do campeão do racismo sul-africano


Julius Malema, líder da ala mais selvagem e vindicativa do racismo sul-africano, defensor da nacionalização da indústria mineira, da ocupação e confiscação sem compensações das explorações agrícolas pertencentes a brancos - as farms produzem 85% dos géneros consumidos pelo país - viu a sua casa vendida por 5 milhões de rands em hasta pública. A villa, que faria inveja ao mais ostentatório senador romano, constitui uma breve fracção do património do supremacista. Uma vez mais, as teorias e as grandes proclamações rendidas miseravelmente à cruel evidência dos factos.

17 Maio 2013

Da cobardia, do seguidismo e da imoralidade de todos



Só se inibem de falar os cegos, os cobardes e os cúmplices. O que resta da antiguidade cristã oriental está a morrer perante a impassividade dos europeus manietados ou alienados pela propaganda das "boas causas" paga pela City de Londres e pelos industriais da agiotagem de Nova Iorque. Calam-se os liberais, os conservadores, os social-democratas e todos quantos lavram opinião sobre tudo e coisa alguma, mas que neste particular mantêm sinistro silêncio. O que faz Portugal, o que tem dito, que solução defende para um conflito que é desde há muito um claro choque entre a liberdade e a tirania, a tolerância e a opressão ? O que diz a nossa Igreja, sempre atrasada, sempre titubeante, incapaz de um gesto, de uma palavra, de uma condenação?

16 Maio 2013

As vergonhas hollandinas


A França, campeã emérita das "boas causas", tomou há meses a decisão de facultar ajuda humanitária  às populações das "zonas libertadas da Síria", ou seja, às populações submetidas à sharia imposta pela Al Qaeda. Fabius, que não se devia envolver pessoalmente em qualquer iniciativa do Quai d'Orsay, conhecida a sua fidelidade genética a um dos actores em evidência na região, passeou-se pelas capitais do Médio Oriente e declarou então que não haveria, por ora, qualquer apoio militar aos terroristas. Ora, uma grande mentira exige, sempre, uma grande prova. Ontem, uma das colunas "humanitárias" francesas cruzando territórios sob controlo dos jihadistas, foi atacada pela força aérea síria. Os camiões saltaram estrepitosamente em cogumelos de fogo. Iam atestados de munições, armas automáticas, foguetes anti-tanque, minas anti-pessoal e outra "ajuda humanitária".

14 Maio 2013

Fiel até à morte: da África Oriental alemã ao campo de concentração de Sachsenhausen


Por razões profissionais, estou a regressar ao alemão após vinte e tal anos de indigno esquecimento a que votei essa bela língua matemática. Nada melhor que voltar ao contacto com uma língua que o de ler, anotar, sublinhar um livro. Pensando estar a fazer exercícios, deixei-me subjugar pela grandeza da narrativa do jovem sudanês Mahjub bin Adam Mohamed, nascido nos confins da África, mas que se transformou num herói alemão, combatendo na Grande Guerra sob o comando do também lendário Letow von Vorbeck. O soldado askari ganhou em batalha as mais relevantes condecorações do Reich. Ao chegar a derrota, em 1918, não quis abjurar da sua condição de alemão, fixou-se no Reich, foi tradutor e professor universitário de swahili, casou com uma alemã e transformou-se em pendão de honra das mil associações coloniais e de ex-combatentes que mantinham vivo o sonho de ver restituídas à Alemanha as colónias perdidas.
O nazismo deixou-o em relativa paz, mas em 1941 foi acusado de "vergonha racial" - isto é, de manter relações com uma ariana - e enviado para o campo de Sachenhausen, onde morreria vítima de doença em 1944.
Tudo isto me faz lembrar o meu empregado doméstico Augusto Matavela  de Sousa, que um dia, lá para 1972, nos entrou casa adentro fardado. Havia-se alistado como voluntário no Exército português para defender "a nossa pátria". Sei que estas coisas estão proibidas entre nós, que muita má consciência que por aí ciranda nos quer fazer esquecer os milhares de negros que por nós combateram e, no fim, foram entregues à tortura, aos campos de concentração e às valas comuns dos "libertadores".

12 Maio 2013

Quando o ridículo não mata


Há setenta anos, dos monumentos da tirania aos homens de todos os combates, a Europa era governada, dos Urais ao pais do verde pinho por homens de estatura quase mitológica: o "Grande Pai dos Povos" na URSS, o regente Horthy na Hungria, o Conducator Antonescu na Roménia, Hitler na Alemanha, Mussolini em Itália, Pétain na França, Franco em Espanha, Churchill no Reino Unido e Salazar em Portugal. 
Há quarenta anos, das democracias ocidentais aos concentracionarismos eslavos e aos sobreviventes autoritarismos ibéricos, havia um de Gaulle, um Adenauer, um Tito, um De Gasperi, um Anthony Eden, um Marcello Caetano. Há trinta e poucos anos, já muito diminuídos mas com um remanescente toque de panache, havia um Willy Brandt, um Helmut Schmidt, uma Thatcher, um Mitterrand.
Hoje, temos o que temos, com Hollande no Eliseu. A fazer o papel que outrora foi de Bismarck, Angela Merkel. É a decadência, muito embora teimemos em não ver o fim que se aproxima.

11 Maio 2013

Abreu Amorim e os emplastros deste país


Abreu Amorim, de asa caída deste a saída de Relvas, anda em busca do tal lugar como edil em Gaia. Sabemos que a actividade política transporta implícita a total desvergonha, pelo que o inopinado ataque ao ministro das Finanças - escancarada falta de vergonha, aqui acrescida de roncante populismo - serve às maravilhas para demonstrar a falta de classe da nossa classe política. O estrato mais baixo do artesanato político nativo encontra-se no dito "mundo autárquico". Tendo falhado a carreira para ministeriável, Amorim fez súbita colagem ao estilo chão dos afectos de rua e, como o famigerado Emplastro, apareceu nas pantalhas para pedir a demissão do ministro Gaspar. Amorim quer o tal lugar a todo o custo, mordendo até a mão que o alimentou. O eleitorado é, amiúde, boçal, contraditório, desinformado, manipulável, pelo que Amorim, talvez confiando em excesso na proverbial estupidez das pessoas, queira fazer crer que não é do PSD. Sorte tem o ministro Gaspar por não ter sido "eleito coisíssima nenhuma" e, assim, não fazer depender a sua vida profissional dos afectos e iras de um povo entregue às habilidades dos Amorins deste país.

06 Maio 2013

Atacar a vítima


O Direito Internacional, a Carta das Nações Unidas e aquele conjunto de procedimentos e atitudes que se exigem dos actores da comunidade internacional parece não se aplicarem, de todo, a alguns Estados. Os inopinados ataques aéreos desferidos desde a noite de sábado contra a Síria trariam imediatas consequências punitivas ao agressor. Infelizmente, não trouxeram nem trarão, pois enquanto Estado-cliente de um dos membros efectivos do Conselho de Segurança, o agressor pode ameaçar a paz, violar fronteiras, matar centenas de cidadãos de um Estado vizinho, atacar-lhe a capital e até blasonar e ameaçar com mais investidas. O princípio que rege a comunidade internacional é o da reciprocidade. Contudo, se a Síria ripostasse na proporção das ofensas recebidas, seria de imediato alvo de intervenção militar. No caso vertente, mais que supostos como anódinos ataques visando impedir que misseis iranianos chegassem ao Líbano, os bombardeamentos surgem de manifesto como provocações - impunes provocações - visando a abertura de hostilidades. Washington insistiu na peregrina mentira da existência (e utilização) pelos sírios de miríficas armas de destruição massiva, argumento que em 2003 desculpou a invasão e destruição do Iraque. Agora, com a chancela das Nações Unidas, fica-se a saber que, afinal, a utilização de armas químicas no conflito sírio é inteira responsabilidade dos chamados "rebeldes" sírios; a saber, dezenas de milhares de mercenários líbios, tunisinos, iemenitas, turcos e muçulmanos vivendo no Reino Unido, França, Canadá e EUA.
Os bombardeamentos têm duas explicações. Em primeiro lugar, falhou a invasão jihadista, pois que a Síria parece ter ganho a guerra. Falhada a insurreição "democrática" que era, afinal, um assalto ao poder por forças alinhadas com a Al Qaeda, procura-se alargar o conflito. Surge de manifesto que se pretende agora espalhar o conflito ao Líbano e, assim, criar o vazio em torno de Israel; países destruídos, calcinados, dilacerados por crónica instabilidade e guerra civil endémica. Trata-se, pois, de crimes contra a humanidade, conspiração contra a paz e a segurança internacionais, violação dos fundamentos da Carta da ONU. Mas há Estados que não aceitam a Carta nem rubricaram a convenção que rege o Tribunal Penal Internacional, pelo que se colocam num patamar de realismo hobbesiano, ou seja, de absoluta indiferença e desrespeito pelo Direito e pela moral internacionais. Atacar a vítima, eis a triunfante palavra de ordem.
A guerra entre a Síria e Israel poderá ter um desfecho muito similar àquele da falhada investida judaica contra o Líbano. Israel falhou, ou seja, foi derrotado. A dureza, tenacidade e perseverança até hoje demonstradas pelo povo sírio parece não augurar nada de bom para os israelitas. Israel parece não se ter dado conta que o tempo das guerras desiguais terminou.

04 Maio 2013

A "impopularidade" de Assad

As sirenes do politicamente correcto não dão trégua aos mais desvairados agravos ao governo sírio, forçando a todo custo a agressão externa num momento em que se desenha a derrota militar dos exércitos mercenários jihadistas. Hoje, no campus universitário de Damasco, o regime exibiu grande força popular de apoio, não temendo bombas e morteiros dos inimigos da Síria. Este povo continua a afirmar qualidades de tenacidade e patriotismo dignos de respeito.

Um general na frente de batalha

02 Maio 2013

Iconoclastia dos intolerantes da tolerância


Disse-me há tempos o bibliotecário de uma das grandes universidades norte-americanas que o lóbi dos "estudos do género" impôs o acesso condicionado a grandes obras clássicas, invocando o carácter "sexista" e "misógino" de passagens de Homero, de Eurípedes, das literaturas medievais cristã e árabe, mas também de Shakespeare, Voltaire, Diderot, Mark Twain, Faulkner...
Depois vieram os judeus, increpando a universidade por expor despudorada literatura "anti-semita", requerendo que tais "manifestos de ódio" deveriam ser precedidos por pedagógicas advertências; a saber, de novo Shakespeare, o repetente Voltaire, William Godwin, Dickens, Oscar Wilde, T.S. Eliot...
Corre nos EUA um abaixo assinado exigindo a remoção das figuras parietais escavadas numa das encostas da Stone Mountain, na Geórgia.. O conjunto escultórico exibe as infamantes imagens do General Robert Lee, do presidente Davies da Confederação, assim como do heróico Stonewall Jackson. É evidente que a petição vai passar, que as três figuras vão ser destruídas, que o vento liberticida, totalitário, ignorante e odioso somará mais uma vitória, lembrando os Budas de Bamyan dinamitados pelos Talibãs.
Vivemos, decididamente, num tempo de trevas.

01 Maio 2013

Grande triunfo de um povo sobre a agressão externa


As notícias chegadas da frente de combate na Síria não podiam ser melhores; fragorosas derrotas para os terroristas, ofensiva generalizada do Exército Árabe Sírio em direcção à fronteira turca, definitiva limpeza das fronteiras com o Líbano e a Jordânia, retirada dos islamistas dos postos que haviam tomado no deserto sírio-iraquiano. Em Washington, fala-se de armas químicas, desenvolvendo o lóbi pró Al-Qaeda intensa actividade tendente a uma intervenção militar dos EUA e restantes parceiros ocidentais. Os arautos das guerras para espalhar mercado calaram-se subitamente. Tudo indica que falhou o assalto à Síria e a doutrina do Pentágono que acariciava a ideia da instalação do caos no Médio Oriente para, assim, caucionar a entrada em cena da novel aliança entre Israel e a Turquia. A guerra justa e defensiva que se trava naquele ponto do planeta é, sem dúvida, uma tremenda lição de coragem. Afinal, as boas causas tudo sobrelevam.

28 Abril 2013

Vá lá, acabou o medo de dizer o que todos pensam

"Digo que convinha esclarecer primeiro de que valores falamos. Os "valores de Abril" são os que derrubaram a ditadura salazarista ou os que queriam impor uma ditadura comunista em seu lugar? Os "valores de Abril" são as tentativas de evangelização ideológica que ocorreram no PREC ou a liberdade que permitiu às populações escorraçarem os evangélicos? Os "valores de Abril" são os esforços para atribuir o poder a uma seita de iluminados ou a crença numa democracia representativa? Os "valores de Abril" são a recusa da austeridade ou a rejeição do endividamento? Os "valores de Abril" são bazófia lírica ou a visão necessária para construir um país responsável e independente? Os "valores de Abril" são, em suma, aquilo que os seus paladinos gostariam que tivesse acontecido a Portugal ou aquilo que de facto aconteceu? O resultado não é famoso, mas suspeito que poderia ser ainda pior".

25 Abril 2013

Um pesadelo cansado


A liturgia do 25 da Silva vai-se arrastando penosamente pelas décadas, sonho infantil apodrecido ao sol da crua realidade. "Lições" que quisemos dar ao mundo e terminaram em revolução de pihéria, experiências de uma geração de estudantes que não haviam tido tempo para estudar, de oficiais que não se sentiam bem nas fardas que envergavam, de uma classe operária cujo único fito - como se veio a ver - era a de trocar a marmita pelo consumismo dos ultracongelados, de uma burguesia que queria mandar, mas se fez socialista e se entregou à volúpia na mesa do orçamento. Em 1974, tudo estava disposto para Portugal se transformar numa democracia liberal. O take off industrial processava-se, acompanhando um crescimento ininterrupto desde há uma década, a terciarização avançava, a classe média libertara-se do jugo estatista, abria empresas, formava os seus pimpolhos para o mando.
No estádio inicial, julgou-se que o golpe traria para o poder homens respeitados e respeitáveis: um general com a panache de um prussiano, um primeiro-ministro republicano e maçon conhecido pela probidade, ministros vários com hábitos de trabalho e, até - coisa hoje inexistente - com profissão conhecida.
Mas a criança nasceu mal. Com uns meses de vida, foi atacada de grave moléstia de sarampo que a deixou cega e surda para a vida. Entre os 2 e os 12 anos sofreu a dura fome para, logo, arranjar uns pais europeus adoptivos que lhe permitiram passar a adolescência e a vida adulta entregue aos excessos de glutoneria. 
Aos trinta e poucos, pediram-lhe contas do que havia feito. Só então se deu conta que nada havia feito, que não se havia preparado, que era dependente, que parasitava os doadores, que pedia emprestado para comer, para morar, para se transportar.
Tudo isto me faz lembrar todos os velhos e sepultados sonhos revolucionários que morreram pesadelos cansados; nascidos em afã de salvação, falecidos em tragédia. Sim, como o nazismo e o comunismo, só que aqui não houve necessidade de uma derrota. A coisa foi apodrecendo em festa, em triste esboroar e em desencanto. Ao ver aqueles velhos descendo a avenida, trazendo pela mão os netos, todos gritando estafados estribilhos, me dei conta que a cegueira e a surdez se transmitiu, que estamos emparedados, incapazes de voltar ao passado mas, sobretudo, incapazes de dar um passo em frente.
Um dia disse-me um amigo alemão, hoje com quase oitenta anos, que com o nazismo foi assim. Tudo começou com um sonho e acabou em pesadelo. Os alemães acordaram, refizeram-se do pó da derrota. Nós, ainda estamos a dormir. E a coisa continua. Eles, por lá, cantavam o Horst Wessel. Por cá, continuamos com a Grândola.